26. jul, 2015

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Nós somente nos interessamos por alguns assuntos quando começam a fazer parte de nossas vidas. Descobri que a maioria das mulheres que passam por uma mastectomia optam por não reconstruir suas mamas. Fiquei muito surpresa e curiosa. Por que essas mulheres escolhem ficar mutiladas? Medo de uma nova operação? Falta de confiança no profissional? Mulheres, reconstruam!!!! Seus seios e suas histórias! Eu estou muito feliz com o meu resultado e gostaria que outras mulheres se sentissem como eu. Conheça os tipos de reconstrução.

A escolha da técnica de reconstrução envolve uma avaliação múltipla e complexa que deve ter início na fase pré-operatória. A anamnese e o exame físico permitem dimensionar não só os riscos anestésicos e cirúrgicos, mas também prever a viabilidade de algumas técnicas de reconstrução.

As técnicas para reconstrução da mama variam e dependem fundamentalmente da quantidade de tecido removido e de sua localização. As mais utilizadas são aquelas que fazem uso dos próprios tecidos da mama, que com o reposicionamento preenchem os espaços vazios causados pela retirada do câncer, são os chamados retalhos locais associados ou não à mamoplastia. Não existe a técnica ideal, mas sim, a mais adequada para um determinado caso.

Prótese de Silicone


A reconstrução mamária com prótese de silicone é utilizada em pacientes que não têm quantidade de tecido suficiente para ser feita a reconstrução da mama. É uma técnica indicada para os casos de mastectomia em que não é retirada grande quantidade de pele, desta forma o envelope cutâneo é suficiente para se colocar o implante e proporcionar uma boa forma à mama reconstruída. É geralmente realizada no mesmo ato cirúrgico do tratamento do câncer.

Para a indicação dos implantes é necessária uma boa conservação de pele e da musculatura peitoral, como ocorre no tratamento cirúrgico dos estágios iniciais do câncer de mama, que em muitos casos poderão ser submetidos ao tratamento conservador, como, por exemplo, no carcinoma ductal in situ com componente intraductal extenso. Os implantes também podem ser utilizados na reparação tardia de diferenças volumétricas entre as mamas.

Entre as próteses disponíveis estão as lisas, texturizadas e de poliuretano, todas compostas de um gel coesivo. Para definir o tamanho da prótese é necessária uma avaliação anatômica, onde a elasticidade do tecido deve ser analisada.

Expansores

O tipo de cirurgia para reconstrução da mama varia de acordo com o biótipo da paciente e o volume da mama. Uma vantagem no uso do expansor cutâneo consiste na possibilidade de reconstrução dos tecidos com semelhança de cor e textura, sem a adição de novas cicatrizes.

O expansor de tecido é semelhante a uma prótese vazia colocada sob a pele normal, e que gradualmente é inflado com soro fisiológico de modo a expandir o tecido até alcançar um tamanho semelhante à mama que se deseja reproduzir.

Em uma segunda intervenção cirúrgica, o expansor da pele é retirado para a colocação do implante definitivo, geralmente abaixo do músculo peitoral, que poderá variar de tamanho e forma em função da expansão alcançada e da forma desejada. Entretanto, já existem no mercado próteses que são expansoras definitivas, reduzindo assim os procedimentos cirúrgicos aos quais a paciente tem de se submeter.

Transferência de Retalhos de Pele

Na técnica de retalhos musculocutâneos, um segmento de pele e tecido gorduroso, geralmente retirado da região abdominal ou dorsal, é levado ao local a ser operado. É feita uma cirurgia plástica no abdome, e o tecido dessa região é utilizado para a reconstrução mamária por meio de um túnel abdominal ou de transplante com microcirurgia.

reconstrução mamária

 

reconstrução mamaria


O retalho é um tecido retirado de uma região do corpo e transferido a outra, permanecendo preso ao seu lugar original por um tecido chamado pedículo, que leva a vascularização necessária para que este tecido não morra. A cirurgia com retalhos tem a grande vantagem de repor tecidos no tórax que podem ter sido retirados ou danificados e neste caso, não poderiam ser utilizados para a reconstrução com expansores de tecidos.

Os tipos mais comuns de procedimentos com transferência de retalhos de pele são:

  • Retalho Miocutâneo do Músculo Reto Abdominal


Na reconstrução mamária com rotação de retalho músculo-cutâneo transverso do reto abdominal (TRAM) a pele e gordura da porção inferior do abdômen são levadas, através de um túnel, até a região da mama a ser reparada, junto com os músculos abdominais, que servirão como fonte vascular para irrigação sanguínea do retalho. 


A elevação destes músculos deixa uma área de enfraquecimento no abdome que é reforçada com uma tela, de polipropileno, especial para uso médico.

Assim como em outras técnicas, deverá haver necessidade de mais tempos cirúrgicos, como por exemplo, para a simetrização da mama contralateral, criação de novo complexo areolomamilar e sua pigmentação.

Um ponto fundamental para a escolha desta técnica é que a paciente não seja muito magra, ou seja, tem que ter tecido gorduroso abdominal sobressalente para que haja volume para a reconstrução da nova mama.

  • Retalho do Músculo Grande Dorsal


A reconstrução mamária com a rotação de retalho ou de músculo grande dorsal do mesmo lado é uma técnica segura, rápida e versátil, que permite a reparação de qualquer aporte de tecido e, portanto, deve fazer parte do arsenal de técnicas para a reparação de casos complexos do tratamento conservador.

A indicação de retalho miocutâneo de grande dorsal na reconstrução imediata do tratamento conservador fica restrita àqueles casos em que a mama remanescente é insuficiente para a sua reparação e não há possibilidade para o uso de um retalho tecnicamente mais simples como o toracolateral, seja pelo quadrante acometido, seja pela insuficiência de tecido na área doadora.

O músculo grande dorsal tem forma triangular e origina-se da sexta vértebra torácica, fáscia toracolombar e crista ilíaca. É um retalho de pedículo vasculonervoso constante, músculo bastante volumoso e de fácil acesso. Determina mínimo déficit funcional e pode-se associar à extensa ilha de pele até 7 por 15 cm. A ilha de pele pode localizar-se em várias posições no dorso, porém, quando está na região lombar, permite longo pedículo, que auxilia no enchimento da mama, sendo preferível que a ilha de pele seja marcada mais superiormente para que a cicatriz seja totalmente coberta pela vestimenta. O longo pedículo permite amplo arco de rotação, favorecendo assim a correção das deformidades em qualquer quadrante.

Quando o volume mamário não é muito grande, pode-se retirar um retalho de tecido da parede do tórax, juntamente com o músculo dorsal, para irrigar a área. Por não ser tão espesso quanto o retalho abdominal, o espaço pode ser completado com uma prótese de silicone a fim de fazer volume na nova mama, uma vez que, o tecido gorduroso das costas da paciente não é suficiente para dar o volume adequado.

  • Retalho DIEP


O DIEP (retalho perfurante da artéria epigástrica) é um procedimento mais recente de transferência de retalho, que utiliza a gordura e a pele a partir da mesma área do retalho TRAM, sem mexer no músculo para formar a nova mama. Isso resulta em menos pele e gordura no abdome ou uma abdominoplastia. Este método usa um retalho livre, o que significa que o tecido é cortado completamente livre da barriga e depois inserido na região da parece torácica. Isto requer a realização de uma microcirurgia para ligar os vasos pequenos. O procedimento leva mais tempo do que o retalho TRAM, mas causa menos flacidez muscular e menos hérnias.

retalho DIEP